Sidarta, de Hermann Hesse

Observações iniciais: 

Minha inicial motivação para leitura do livro Sidarta, de Hermann Hesse, veio por incentivo do clube de leitura "Namjoon Book Club" (@namjoonbookclub), que o elegeu como leitura de Maio/2024. 

Ademais, essa resenha critica foi originalmente escrita como um exercício pratico para o modulo "Ato criativo" do curso de Hístoria da Arte da EBAC. 

Ficha tecnica:

Livro: Sidarta.
Autor: Hermann Hesse.
Editora: Record.
Tradução: Herbert Caro.
Ano: 2023.
Publicação Original: 1922.
Classificação: Ficção alemã.

Resenha crítica: 

Sidarta é um romance escrito pelo autor alemão Hermann Hesse, originalmente publicado em 1922. No Brasil, pode ser encontrado disponível no mercado pela editora Record, com tradução de Herbert Caro. A obra acompanha a jornada em busca de sabedoria de um jovem brâmane chamado Sidarta, nome dado ao personagem em alusão a figura de Sidarta Gautama (o buda histórico), que sai de casa, abandonando sua família e os privilégios de sua casta, para viver uma vida de asceta. Procurando respostas para suas inquietações, o protagonista segue por caminhos tortuosos, passando por ciclos de vivencias diversos em busca do autoconhecimento. 

Ao acompanhar a jornada de Sidarta me vi por diversos momentos refletindo sobre minhas próprias vivência e jornada de vida. Pode-se dizer que Sidarta é uma obra para ser apreciada devagar, fechando o livro entre viradas de páginas, para que venhamos a tal qual o personagem “respirar e meditar”, na medida que as inquietudes de Sidarta, por vezes, trazem a superfície e se misturam as nossas próprias inquietações modernas. 

Dois conceitos são constantemente evocados ao longo da narrativa, sendo cruciais chaves de leitura: Sansara e Nirvana. Sansara significa “errante” bem como “mundo”, conotando a uma ideia de “mudanças cíclicas”, tal como vemos refletida nas andanças do Sidarta de Herman, que transita entre experiencias de vida diversas até enfim encontrar a sua iluminação. Conceito fundamental de todas as religiões indianas, Sansara está ligada a teoria do carma e a crença de que os seres humanos passam por ciclos de “nascimento e renascimento”¹ . Enquanto Nirvana, no budismo, é o estado de liberação dos sofrimentos humanos ou a “libertação do ciclo de renascimento e da morte”, na perspectiva hinduísta, sendo sinônimo da “iluminação espiritual”² .

Sidarta possui um espírito rebelde, que procura seguir os ensinamentos de buda enquanto tenta se manter fiel a si. As inquietações de Sidarta refletem elementos característicos do contexto-histórico em que Hermann Hesse escreve, parte do movimento romântico entre guerras. Mas como um bom clássico literário, na definição de clássico de Ítalo de Calvino, Sidarta é “um livro que nunca terminou de dizer o que tinha que dizer”. Nos faz indagar e refletir sobre “como podemos processar com as nossas inquietações modernas?”, “Como viver (e por vezes sobreviver) a Sansara?”. Talvez a maior lição que possamos aprender com Sidarta é nos permitir experimentar, nos permitir arriscar. Hesse em sua obra enfatiza o caráter insubstituível da experiencia, apenas a experiencia traz autoconhecimento. Somente ao vivenciar o Sansara podemos atingir o Nirvana.

¹SANSARA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2024. Disponível em: . Acesso em: 02 jun. 2024.

²NIRVANA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2022. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2022


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