Gê Viana - Uma arte congenital *

Obs: esse texto foi originalmente escrita para o exercício do modulo 4, intitulado "A PINTURA ENTRE PARÊNTESES", do curso de Hístoria da Arte da EBAC, cuja proposta foi: a escolha e apresentação de uma obra ou manifestação cultural, de qualquer época ou gênero, comentando acerca do que há nela de "congenial", ou seja, como ela aborda a presença viva de culturas como a indígena ou africana, no território nacional. Escolhi comentar sobre a artista Gê Viana, em especial a série Paridade.

Gê Viana, Sem Título [Mantinha Marques] (2021), Da série ‘Paridade’ 

Gê Viana nasceu em Santa Luzia, Maranhão, em 1986, mas vive e trabalha em São Luís. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a artista produz colagens e fotomontagens, analógicas e digitais, inspiradas em acontecimentos da vida familiar e do cotidiano, confrontando a cultura colonizadora hegemônica e os sistemas de arte e comunicação.¹
Um questionamento de um amigo da artista sobre sua ascendência serviu de ponto de partida e vem norteando a trajetória da série Paridade, um trabalho que se dá em torno da compreensão da artista de sua própria ancestralidade.² A série é constituída por fotografias sobre as quais são coladas outras imagens de época e técnica visivelmente diferentes. As colagens trazem à tona uma defasagem temporal a partir da qual emerge a ideia da ancestralidade, no que a artista chama de “camadas sobrepostas”: na primeira camada um presente fotografado pela artista e um passado que se fixado através das colagens das imagens antigas.³
Gê Viana conta que veio a se dar conta de que sua existência pessoal fazia parte do que se poderia chamar de grande História. Ver a si mesma como mulher às voltas de uma longa cadeia de acontecimentos permitiu que ela se reconhece-se como herdeira de uma história, gloriosa ou dolorosa, abrindo assim todo um campo de trabalho crítico. 4

Referências:

1 Gê Viana. Galeria Superfície. Disponível em:< https://galeriasuperficie.com.br/artistas/ge-viana/>. Visualizado em: 26 jun. 2024 2 RAHE, Nina. Os artistas Gê Viana e Gustavo Caboco constroem suas trajetórias a partir da compreensão da própria ancestralidade. Select, v. 10, n. 50, abr.-maio-jun. 2020. Disponível em: https://www.select.art.br/plantar-o-corpo/. Acesso em: 26 jun. 2024. 3 LEENHARDT, Jacques. Rever Debret. Colônia - Ateliê - Nação. São Paulo: Editora 34, 2023, p.90-91. 4 LEENHARDT, Jacques. Rever Debret. Colônia - Ateliê - Nação. São Paulo: Editora 34, 2023, p.91-92.





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