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A Repetição e Influência Artística em "A Grande Onda de Kanagawa" e "A Noite Estrelada"

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A arte, em sua essência, é um contínuo de influências e referências que atravessam culturas e épocas, gerando uma repetição criativa que enriquece a expressão artística. Esse fenômeno é notavelmente evidente ao compararmos a xilogravura "A Grande Onda de Kanagawa" de Katsushika Hokusai e a pintura "A Noite Estrelada" de Vincent van Gogh. Ambas as obras, apesar de suas origens distintas, estão conectadas por uma linha de influência estética que se manifesta tanto na forma quanto no conteúdo, exemplificando a poderosa presença do japonismo no desenvolvimento da arte ocidental, especialmente no movimento pós-impressionista. "A Grande Onda de Kanagawa" (1831), criada durante o período Edo por Hokusai, é uma xilogravura que faz parte da série "Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji". A obra retrata uma onda gigantesca ameaçando barcos de pescadores, com o icônico Monte Fuji ao fundo. A composição, apesar de simples, é poderosa e impactante, caracterizada ...

"Minha Renda": A Plebe Rude e a Arte em Transformação no Brasil dos Anos 80

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"Minha Renda", da banda Plebe Rude, é uma crítica mordaz ao cenário musical e cultural do Brasil no início dos anos 80. Lançada em 1985, a música reflete a tensão entre a integridade artística e a comercialização da arte, em um país que começava a abrir-se após anos de ditadura, mas ainda enfrentava desafios econômicos e sociais. Trechos como "A música não importa, o importante é a renda" e "Grana vale mais que a minha dignidade" denunciam a pressão sobre os artistas para priorizarem o lucro em detrimento da autenticidade.  No campo das artes plásticas, o início dos anos 80 no Brasil foi marcado por uma aproximação entre a cultura "erudita" e a "popular", impulsionada pela crescente influência da indústria cultural. Artistas começaram a explorar novas linguagens, rompendo com a rigidez acadêmica e voltando-se mais para o entretenimento e a comunicação de massa. Assim como na música, onde "Eles trocam minhas letras, mudam a harmonia...

A poética de José Roberto Aguilar

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José Roberto Aguilar é um artista plástico brasileiro cuja obra se caracteriza por uma abordagem multifacetada e experimental. Sua carreira, que abrange várias décadas, é marcada por uma constante reinvenção e pelo uso de diversos meios de expressão, como a pintura, a escultura, o vídeo e a performance. Aguilar é um dos nomes mais destacados da arte contemporânea brasileira, conhecido por sua capacidade de integrar diferentes linguagens e por sua poética visual única.  A sua obra "Séries do Futebol I" (1966). Nessa série, o artista explora o futebol, um elemento cultural profundamente enraizado na identidade brasileira, como tema central. As obras desta série combinam elementos abstratos e figurativos, utilizando uma paleta vibrante e gestualidade expressiva. A série não apenas celebra o futebol, mas também o utiliza como um veículo para discutir questões sociais e culturais, refletindo a paixão e a complexidade do esporte como um fenômeno cultural.   A poética de Aguilar pod...

Gê Viana - Uma arte congenital *

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Obs:  esse texto foi originalmente escrita para o exercício do modulo 4, intitulado " A PINTURA ENTRE PARÊNTESES ", do curso de Hístoria da Arte da EBAC, cuja proposta foi: a  escolha e apresentação de uma obra ou manifestação cultural, de qualquer época ou gênero, comentando acerca do que há nela de "congenial", ou seja, como ela aborda a presença viva de culturas como a indígena ou africana, no território nacional. E scolhi comentar sobre a artista Gê Viana, em especial a série Paridade. Gê Viana, Sem Título [Mantinha Marques] (2021), Da série ‘Paridade’   Gê Viana nasceu em Santa Luzia, Maranhão, em 1986, mas vive e trabalha em São Luís. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a artista produz colagens e fotomontagens, analógicas e digitais, inspiradas em acontecimentos da vida familiar e do cotidiano, confrontando a cultura colonizadora hegemônica e os sistemas de arte e comunicação.¹ Um questionamento de um amigo da artista so...

Melancolic Boy

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Estudo de retrato em giz pastel oleoso, junho de 2024.

Jean-Baptiste Debret: Registros de um exilio pitorescos e históricos no Brasil.

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Jean-Baptiste Debret (1768-1848) produziu, entre 1816 e 1831, uma extensa coleção de imagens sobre o Brasil nos primeiros anos do século XIX, tendo sido o membro da chamada “missão artística francesa” que por mais tempo residiu no Brasil. Debret nasceu em 18 de abril de 1768, filho primogênito de Jacques Debret e de Elisabeth Joudain. Membro de uma família pequeno burguesa tinha como parentes importantes nomes da pintura, sobrinho do pintor rococó Jean-Baptiste Boucher (1703-1770) e Jacques Louis David (1748-1825), de quem foi aprendiz e herdou o estilo neoclássico (TUTUI, 2015, p. 3). Para além da influência artística, Debret e David compartilharam também ideais políticos tendo ambos sido integrantes do movimento jacobino durante a revolução francesa (PICCOLI, 2005, p. 458).   O exílio de Napoleão para a ilha de Santa Helena e a volta dos Bourbons (o chamado período da restauração), tornou a França um ambiente hostil para os artistas bonapartistas, principalmente aq...

Sidarta, de Hermann Hesse

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Observações iniciais:  Minha inicial motivação para leitura do livro Sidarta, de Hermann Hesse, veio por incentivo do clube de leitura "Namjoon Book Club" (@ namjoonbookclub), que o elegeu como leitura de Maio/2024.  Ademais, e ssa resenha critica foi originalmente escrita como um exercício pratico para o modulo "Ato criativo" do curso de Hístoria da Arte da EBAC.  Ficha tecnica: Livro: Sidarta. Autor: Hermann Hesse. Editora: Record. Tradução: Herbert Caro. Ano: 2023. Publicação Original: 1922. Classificação: Ficção alemã. Resenha crítica:  Sidarta é um romance escrito pelo autor alemão Hermann Hesse, originalmente publicado em 1922. No Brasil, pode ser encontrado disponível no mercado pela editora Record, com tradução de Herbert Caro. A obra acompanha a jornada em busca de sabedoria de um jovem brâmane chamado Sidarta, nome dado ao personagem em alusão a figura de Sidarta Gautama (o buda histórico), que sai de casa, abandonando sua família e os privilégios de ...