Jean-Baptiste Debret: Registros de um exilio pitorescos e históricos no Brasil.
Jean-Baptiste Debret (1768-1848) produziu, entre 1816 e 1831, uma extensa coleção de imagens sobre o Brasil nos primeiros anos do século XIX, tendo sido o membro da chamada “missão artística francesa” que por mais tempo residiu no Brasil. Debret nasceu em 18 de abril de 1768, filho primogênito de Jacques Debret e de Elisabeth Joudain. Membro de uma família pequeno burguesa tinha como parentes importantes nomes da pintura, sobrinho do pintor rococó Jean-Baptiste Boucher (1703-1770) e Jacques Louis David (1748-1825), de quem foi aprendiz e herdou o estilo neoclássico (TUTUI, 2015, p. 3). Para além da influência artística, Debret e David compartilharam também ideais políticos tendo ambos sido integrantes do movimento jacobino durante a revolução francesa (PICCOLI, 2005, p. 458).
O exílio de Napoleão para a ilha de Santa Helena e a volta dos Bourbons (o chamado período da restauração), tornou a França um ambiente hostil para os artistas bonapartistas, principalmente aqueles que, como Debret e David, haviam assistido aos eventos de 1793. Foi em meio a esse contexto que Jean-Baptiste Debret veio para o Brasil aos 47 anos, parte do grupo da chamada “Missão Artística Francesa”, que integrou artistas, arquitetos, artesãos, mecânicos, carpinteiros, entre outros profissionais.
No que se refere às atividades exercidas por Debret após sua chegada, designado como pintor oficial da corte, professor de “pintura de história” e responsável pela cenografia do Teatro Real (LEENHARDT, 2023, p.18). Juntamente com Montigny, também lecionou e ministrou aulas particulares de desenho e pintura em uma residência alugada no centro da cidade e, posteriormente, em uma sala, de caráter provisório, no prédio que viria a ser a Academia Imperial de Belas Artes (TREVISAN, 2007, p. 23). Fora das atividades oficiais e do ensino privado, Debret dedica a maior parte do tempo que lhe sobrava a um segundo ateliê, produzindo pinturas de gênero em aquarela, que constitui, hoje em dia, o maior motivo para o seu reconhecimento (LEENHARDT, 2013, p. 511).
Debret, após retornar, em 1831, para França, publica, entre 1834 e 1839, a obra Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, pela editora Firmin Didot. A obra é composta por três tomos e reúne as pinturas feitas durante os 15 anos que permaneceu no Brasil. Em Paris, o livro de Debret foi um fracasso editorial, enquanto no Brasil, o livro foi publicado pela primeira vez somente em 1940, em dois tomos, com tradução de Sérgio Milliet pela Livraria Martins, São Paulo, na Biblioteca Histórica Brasileira.
Quando analisamos as razões para o fracasso do livro as razões são múltiplas, uma delas a saturação do mercado, uma vez que, “Eram numerosas as “viagens pitorescas” a disputar a atenção dos interessados.” (LEENHARDT, 2023, p.66). Porém a razão mais fundamental de seu fracasso remete a sua insistência em representar o cotidiano dos africanos e afrodescendentes que constituíam mais da metade da população do Rio deJaneiro, dando fisionomia a essas mulheres e homens que o sistema escravagista tendia a invisibilizar (LEENHARDT, 2023, p.67)
Referências:
PICCOLI, Valéria. O Brasil na viagem pitoresca e histórica de Debret. In: Encontro de História da Arte, 1., 2004, Campinas. Anais eletrônicos... São Paulo: Universidade Estadual de Campinas, 2005. p. 456 - 464. Disponivel em: < https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2004/PICCOLI,%20Valeria%20-%20IEHA.pdf>. Acesso em: 24 jun. 2024.
LEENHARDT, Jacques. Rever Debret. Colônia - Ateliê - Nação. São Paulo: Editora 34, 2023.
LEENHARDT, Jacques. Jean-Baptiste Debret: um olhar francês sobre os primórdios do Império brasileiro. Sociologia & Antropologia, Rio de Janeiro, v.03, n. 6, p.509-523, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sant/a/JkgR4dbN4xdVps3bvFjMtJq/abstract/?lang=pt>. Acesso em: 24 jun. 2024.
TREVISAN, A. R. A Debret e a Missão Artística Francesa de 1816: aspectos da constituição da
arte acadêmica no Brasil. Plural, São Paulo, n. 14, p.9-32, 2007. Disponível em:
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